Com o encerramento da tramitação do fim da escala 6×1, o Senado Federal passou a ser palco de um novo embate político entre o governo e a oposição. Desta vez, o ponto central da discussão envolve a redução da maioridade penal, tema que foi inserido nas negociações em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, cuja votação em plenário foi pautada.
Enquanto ocorre a disputa eleitoral para a presidência entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, parlamentares da bancada de oposição articulam a inclusão de uma emenda na PEC. O objetivo é permitir que adolescentes possam ser responsabilizados criminalmente como adultos a partir dos 16 anos e, em circunstâncias específicas, até mesmo a partir dos 14 anos de idade.
A iniciativa coloca o Palácio do Planalto em uma situação delicada, forçando a base governista a se posicionar sobre um assunto de forte apelo junto à opinião pública, o que pode gerar impactos na campanha de reeleição do atual presidente.
A PEC 18/2025 é considerada a principal bandeira do governo federal na área de segurança pública. O texto original propõe uma integração mais efetiva entre a União, os estados e os municípios no combate à criminalidade, além de estabelecer diretrizes mais duras para o enfrentamento a facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.
A proposta avançou após ser aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, seguindo diretamente para a análise dos parlamentares em plenário.
Emenda articulada pela oposição gera impasse no Congresso
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua como coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, apresentou formalmente a emenda para baixar a idade de imputabilidade penal para 16 anos em regra geral, e para 14 anos em casos de crimes considerados graves, a exemplo do tráfico de drogas e da integração com organizações criminosas. A medida conta com o apoio de dezenas de outros senadores oposicionistas.
Essa ofensiva criou um dilema estratégico para o governo. A gestão federal precisa decidir se mantém a resistência histórica do Partido dos Trabalhadores contra a redução da maioridade penal, correndo o risco de parecer branda contra o crime, ou se aceita uma alteração parcial para impedir que a oposição tenha exclusividade sobre o discurso de rigor penal.
Em resposta à pressão, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), buscou costurar uma alternativa intermediária. A ideia proposta por ele consiste em reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos restrita apenas aos casos de crimes hediondos, tentando neutralizar a proposta mais ampla defendida pelo PL.
Divergências internas dividem o Partido dos Trabalhadores
A solução alternativa apresentada encontrou resistência dentro do próprio partido do presidente. Integrantes da legenda avaliam que apoiar qualquer redução da maioridade penal fere princípios históricos defendidos pela sigla ao longo dos anos, o que poderia resultar em desgaste político perante a base tradicional.
O relator da matéria, senador Rogério Carvalho (PT-SE), manifestou oposição à mudança e criticou o que classificou como tentativas de uso eleitoral da pauta por aliados. Vale destacar que Camilo Santana também coordena a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
Outro ponto de preocupação para os governistas diz respeito ao rito legislativo. Caso o Senado decida modificar o texto que já havia sido aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, a matéria precisará retornar para análise dos deputados, o que atrasaria a conclusão de todo o processo. O desejo da gestão federal era sacramentar a votação antes do pleito presidencial de segundo turno.
O cenário expõe a dificuldade do governo em equilibrar suas diretrizes tradicionais com a pressão exercida pelo contexto eleitoral, onde temas ligados à segurança pública ganham forte centralidade nos debates nacionais.
Calendário de votação é acelerado no plenário
As discussões em torno da maioridade penal acontecem em meio a um esforço concentrado para agilizar a tramitação da PEC da Segurança. O plenário da Casa aprovou um regime especial para acelerar a análise, permitindo que a proposta seja votada em dois turnos consecutivos. Para que haja alteração na Constituição brasileira, o texto precisa assegurar um patamar mínimo de votos favoráveis em ambas as votações.
A aprovação da matéria é tratada como prioridade para viabilizar a reestruturação da segurança no país e a criação do Ministério da Segurança Pública. No entanto, a inclusão de temas polêmicos no texto ameaça prolongar os debates e transformar a votação em um confronto político ainda mais acirrado entre os blocos partidários.
Fonte:: ric.com.br


