Supremo Tribunal Federal libera Polícia Federal para investigar produtora de filme sobre Bolsonaro

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agênc

O ministro Flávio Dino, integrante do Supremo Tribunal Federal, autorizou formalmente a Polícia Federal a obter acesso completo aos dados de uma investigação em andamento que tem como alvo a produtora audiovisual Go Up Entertainment. A empresa está encarregada da realização das gravações do filme Dark Horse, uma obra cinematográfica voltada a contar a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A medida adotada pelo magistrado ocorreu em resposta direta a uma solicitação oficial feita pela própria corporação policial. Os investigadores demonstraram a necessidade de examinar os elementos colhidos durante uma operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo, que examina minunciosamente os contratos firmados entre a referida produtora e a administração municipal da capital paulista.

O centro das apurações recae sobre o direcionamento de verbas públicas oriundas de emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil, uma organização não governamental que mantém ligações diretas com os responsáveis pela produção cinematográfica.

As movimentações financeiras e os repasses de recursos chamaram a atenção das autoridades após o ministro Flávio Dino assumir a relatoria de um inquérito específico. O procedimento investiga a suspeita de desvio de finalidade na aplicação de uma quantia estimada em R$ 2 milhões destinados ao instituto. Esse montante específico foi injetado na entidade por intermédio de emendas parlamentares apresentadas pelo deputado federal Mario Frias, filiado ao Partido Liberal de São Paulo.

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A chegada formal da matéria ao Supremo Tribunal Federal deu-se por meio de uma representação protocolada pela deputada federal Tabata Amaral, representante do Partido Socialista Brasileiro de São Paulo, que acionou os órgãos de controle para verificar a lisura da aplicação dos recursos públicos.

Contexto da produção cinematográfica

O projeto do longa-metragem biográfico sobre Jair Bolsonaro ganhou ampla repercussão pública e cobertura da imprensa após uma reportagem publicada pelo portal The Intercept. A matéria jornalística revelou que o senador Flávio Bolsonaro, parlamentar filiado ao Partido Liberal do Rio de Janeiro, manteve contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o objetivo de angariar recursos financeiros para viabilizar as filmagens.

Logo após a divulgação do teor das conversas travadas entre o senador e o executivo do setor financeiro, ocorridas no final do ano passado, a defesa do parlamentar se manifestou publicamente. Na ocasião, Flávio Bolsonaro negou veementemente qualquer tipo de acerto voltado à obtenção de vantagens indevidas e sustentou que as tratativas envolviam exclusivamente o aporte de capital de natureza privada.

Com a nova autorização concedida pela Suprema Corte, os investigadores da Polícia Federal pretendem cruzar os dados obtidos no âmbito estadual com as informações já reunidas no inquérito federal, buscando esclarecer integralmente a origem e o destino final dos recursos utilizados na produção do filme.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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