Treinamento reforça papel estratégico dos cães dos Bombeiros em resgates

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: Divulgação / Seguranca.pr.gov.br

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), através do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), promoveu nesta quinta e sexta-feira (23 e 24) um curso de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC) destinado a médicos e enfermeiros do SIATE e do SAMU de Curitiba. O objetivo do treinamento é aprimorar a atuação integrada das equipes de saúde em situações de emergência. Um dos módulos do curso focou especificamente na busca com cães, evidenciando a importância desses animais nas operações de salvamento.

Os cães são preparados para localizar vítimas em meio a destroços ou em áreas de mata, utilizando o olfato como principal ferramenta. No cenário urbano, eles são essenciais em ocorrência de desmoronamentos e soterramentos, onde podem ser certificados para identificar tanto vítimas vivas, que são a prioridade nas operações, quanto para a recuperação de corpos. Em áreas rurais, atuam em situações como o “venteio”, onde percorrem extensas regiões em busca de pessoas desaparecidas, e na busca por um odor específico a partir de uma referência olfativa previamente estabelecida.

Além da busca por vítimas, os cães desempenham um papel crucial na estratégia operacional, ajudando a descartar com segurança áreas que não precisam ser verificadas. O tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, comandante do GOST, explica que os animais integram um conjunto de técnicas e equipamentos que são utilizados nas buscas. “Ao percorrermos uma área com o cão e ele não indicar nada, isso nos permite redirecionar nossas equipes e concentrar esforços e recursos, como drones e câmeras térmicas, onde as chances de localizar vítimas são maiores. Isso garante uma otimização do tempo, um fator essencial em ocorrências críticas”, destaca o comandante.

A preparação dos cães para esse tipo de atuação é rigorosa e se inicia ainda na fase inicial de suas vidas. Nem todos os animais selecionados conseguem concluir com sucesso o processo de treinamento. Aqueles que demonstram aptidão passam por um período que varia de um ano e meio a dois anos de treinamento e são submetidos a certificações nacionais específicas para cada função. Durante esse período, os cães são expostos a diferentes cenários e condições adversas, como altos níveis de ruído, operações à noite, chuva, neblina e deslocamentos em aeronaves, tudo isso para garantir que estejam preparados para situações reais sem comprometer seu desempenho.

- Publicidade-

O relacionamento entre o bombeiro e o cão, conhecido como binômio, é um dos pilares fundamentais desse trabalho. Cada animal recebe treinamento e cuidados diários do bombeiro designado, estreitando a relação e permitindo que o condutor perceba quaisquer mudanças de comportamento do animal durante uma busca, o que é essencial para o sucesso da operação. “Eu considero que essa é a atividade mais desafiadora do Corpo de Bombeiros, pois enquanto nossas outras funções dependem de equipamentos e do treinamento dos bombeiros, com os cães a dinâmica é diferente; estamos lidando com seres vivos, o que exige não só o treinamento de ambos, mas também uma atenção específica ao vínculo formado entre eles”, comenta o tenente-coronel Greinert.

Ele também ressalta que os condutores frequentemente são os primeiros a chegar ao local da ocorrência e os últimos a sair, pois precisam preparar e cuidar dos cães antes e depois das operações. “Muita gente pensa que basta gostar de animais, mas a rotina de treinamento e operação para os condutores é bastante exigente”, completa.

A preocupação com o bem-estar dos cães é constante e envolve treinamento diário, alimentação de alta qualidade, suplementação e assistência veterinária regular. “Os cães do CBMPR recebem cuidados que muitas vezes são superiores aos de animais domésticos. Isso garante não apenas a saúde deles, mas também uma longevidade considerável, com muitos vivendo entre 14 e 16 anos”, afirma o cabo Fabiano Krul, cinotécnico do GOST e responsável por dois cães de busca, Hórus, um Pastor Belga Malinois de 6 anos, e Amora, uma Golden Retriever de 3 anos.

Krul acrescenta que a estrutura do CBMPR destinada aos cães inclui viaturas adaptadas para o transporte dos animais, com sistemas de climatização e controle de umidade, assegurando conforto e segurança durante deslocamentos longos. “O que eles fazem é de extrema importância; para o cão, a busca e resgate também são vistas como uma grande brincadeira. Por essa razão, só os usamos em cenários onde já foi realizada uma avaliação prévia, garantindo que não haja risco para eles. Antes de qualquer ação, toda a área é inspecionada”, explica o bombeiro.

Atualmente, o GOST mantém o canil central do CBMPR em Curitiba, onde estão alocados 10 cães, entre os já certificados e aqueles em processo de certificação. Ao todo, há cerca de 30 cães em todo o estado, distribuídos em canis setoriais nos municípios de Telêmaco Borba, Guarapuava, Cianorte, Londrina, Santo Antônio da Platina e Francisco Beltrão. Essa estrutura permite ampliar a capacidade de resposta e aproximar os recursos das emergências, incluindo apoio aéreo para o deslocamento rápido dos animais quando necessário.

- Publicidade-

Os cães do CBMPR já participaram de algumas das maiores operações de busca e resgate do Brasil, como o colapso da barragem em Brumadinho (MG), os deslizamentos de terra em Petrópolis (RJ) e as inundações no Rio Grande do Sul. Além disso, eles frequentemente auxiliam nas buscas por pessoas desaparecidas em áreas de mata em todo o Paraná, operações que, muitas vezes, resultam em desfechos positivos graças ao trabalho desses dedicados animais.

Fonte:: seguranca.pr.gov.br

Compartilhe esta notícia